terça-feira, 8 de julho de 2008

Mais uma estupidez anunciada... e mais um número pras estatísticas...

O assassinato estúpido do menino João Roberto Amaral de apenas três anos de idade por policiais militares do Rio de Janeiro após ter o carro onde estava com a mãe e o irmão de nove meses "confundido" com carro de bandidos, deixa, mais do que evidenciada, a falência completa do sistema de segurança brasileiro.

Policiais despreparados, desmotivados e mal pagos vestem a farda empunham as armas e saem as ruas para cumprir sua função precípua de defender a população da violência que cada vez mais grassa nas grandes cidades. Mas o reflexo do mal preparo se faz sentir justamente pelo fato da falta do discernimento, o que acaba fazendo com que esses maus policiais se arvorem o direito de agirem como juízes e executores, atirando antes de averiguar, de ter o devido equilíbrio e preparo que é sempre colocado a prova em decisões que devem ser tomadas em milésimos de segundos e que acabam tendo como desfecho o triste espetáculo de estupidez e tragédia que mais uma vez se descortina diante dos nossos olhos. De nós, pobres mortais, população desprotegida que além de temer os bandidos, passa a temer a própria polícia, pois não sabe se estará totalmente segura no instante em que deveria ser defendida por aqueles que envergam uma farda.

E mais uma vez, uma vida ceifada, mais uma vez pais desesperados chorando a dor mais terrível de perder seu filho, o filho que faria quatro anos no próximo dia 29, o filho amado, alegria da casa que vê seu futuro brutalmente ceifado por tiros disparados a esmo e sem critério. Por mera "confusão de policiais". O desabafo do pai comove, machuca, leva a reflexão, nos deixa na alma a marca triste da compaixão, do ter que assistir a dor de mais uma família destruída por um erro do aparato de segurança do Estado que por vários motivos, entre eles os maus salários, a péssima instrução, a corrupção que une cada vez mais os que ameaçam a segurança e os que deveriam cuidar dela. Esses ingredientes juntos resultam em morte, em ações estúpidas e totalmente desastrosas que revoltam e deixam expostas as chagas de um Brasil cuja morte de seus filhos não seriam talvez temidas se fosse erguida a clava forte da justiça e da luta, como versa o Hino da Pátria, mas que se aterram e se cobrem de dor quando a morte vem por erros do Estado que arrecada e muito bem para protegê-los.

E aí segue-se o teatro e os rituais de praxe. Numa desculpa política, aparece o secretário Beltrame com suas desculpas em nome do governador Sérgio Cabral expondo comedidamente todo seu "mea culpa, mea culpa, mea maxima culpa", afirmando que foi um erro desastroso e que em nome da Lei e de Justiça os culpados serão severamente punidos e que todas as providências serão tomadas. Mas não há o que repare e nem o que recupere a vida do menino João e nenhuma providência que conforte e acalente o coração de seus pais.

Poderia se colocar aqui várias coisas. Que é hora dessa ou daquela medida ser tomada e levada efetivamente a cabo para varrer definitivamente da nossa história esses tristes capítulos. Mas, sinceramente falando, não acredito nisso. O caso terá repercussão nos próximos dias e depois, como uma série de outros, cairá no esquecimento com o arrefecimento das cobranças. Lamentavelmente, o assassinato do menino João Roberto Amaral será mais um triste número a engrossar a fila das estatísticas.

Um abraço amigo...

Um comentário:

Ana Cecília Pereira disse...

Ótimas palavras!

Tá de parabéns pelo blog, Chico!!