sexta-feira, 11 de julho de 2008

32: A Revolução do Rádio

Estamos ainda na semana em que comemoramos os 76 anos da Revolução Constitucionalista de 1932. Considerada por uns como a grande epopéia paulista na luta pela legalidade democrática.

Ficando evidente que Getúlio Vargas estava muito "provisório" no Governo por ele assim chamado e que nitidamente estava se transformando numa ditadura, o que de fato perdurou até 1945, resolveram os paulistas clamando por uma constituição pegar em armas e lutar contra o governo central por sua causa democrática. Foram três meses de luta onde 35 mil paulistas lutaram contra 100 mil homens do governo Vargas e que, obviamente, foi vencida pelas tropas legalistas, após as desistências de Mato Grosso, Rio Grande do Sul e Minas Gerais em lutar ao lado de São Paulo. Uma luta desigual onde pontificaram nomes como o dos Generais Bertoldo Klinger e Isidoro Dias Lopes, do Coronel Euclides Figueiredo e de civis como Pedro de Toledo, entre outros.

Há quem diga que a luta tinha um objetivo claro e heróico para lutar mesmo pela democracia. Há quem diga que São Paulo queria se separar e há quem diga também que São Paulo pegou em armas porque fora destronado do poder pelo gaúcho Getúlio que colocou fim a chamada república do café com leite.

Mas, sem dúvida alguma, 32 foi a Revolução do Rádio. Isso pelo papel importantíssimo que o veículo teve na divulgação dos ideais constitucionalistas. Foi aí que o Rádio se mostrou com todo seu esplendor na tarefa que lhe é mais fundamental, de integrar pessoas, divulgar informações, prestar serviços e aproximar os povos.

Logo que o levante explodiu em 9 de julho de 32, revolucionários tomaram os meios de comunicação como as companhias telefônicas, postos telegráficos e as emissoras radiofônicas. Entre estas se destacam a Rádio Cruzeiro do Sul e, principalmente a Rádio Record, fundada um ano antes por Paulo Machado de Carvalho que, já com a visão empresarial que o consagraria, transformou uma emissora montada em um modesto fundo de loja de discos, em uma emissora que já estava inovando no Rádio de São Paulo.

Paulo Machado escancarou os microfones da Rádio Record para a divulgação dos ideais da revolução. A programação derrubada e colocada a serviço de São Paulo. Foi a partir daí que a Record se consolidou como a grande emissora paulista. Em transmissões que varavam as madrugadas, (lembrando que a programação das emissoras se resumia a pouco mais de 6 horas diárias), a PRB-9, através de cronistas como Rubem Alves e Guilherme de Almeida preparavam textos conclamando os paulistas a lutarem pelo bem de São Paulo e do Brasil, através das vozes de Nicolau Tuma, Renato Macedo e, principalmente, César Ladeira, todos estudantes de Direito do Largo São Francisco.

As transmissões empolgavam os paulistas e brasileiros, já que a noite, a propagação das ondas era maior e a Record atingia outros estados também. Ao som de Paris Belfort e outros hinos marciais especialmente compostos para a revolução, o Rádio inundava o éter e enchia os paulistas de brios, aliados aos discursos magistralmente interpretados pelos "speakers" que se revezavam ao microfone para unir São Paulo.

O Rádio foi fundamental para unir e integrar as ações nas frentes de batalha, na retaguarda que ficara na capital brilhantemente encabeçada pelas mulheres, e para as campanhas em prol da causa como "Ouro para o bem de São Paulo" onde as famílias doavam todas suas posses em ouro para a revolução.

Após a Revolução, mesmo com a derrota paulista, estava irremediavelmente aberto o caminho para o Rádio galgar seus caminhos que o solidificaram como veículo imediatista e popular, caindo definitivamente no gosto do público, já que teve participação essencial na hora da luta, unindo os paulistas num momento decisivo para o Estado. A Rádio Record também se firmou como "A Voz de São Paulo" e "A Voz da Revolução" consolidando definitivamente sua posição como uma das grandes emissoras de São Paulo e do Brasil.

Por isso, quando se comemora mais um aniversário da Revolução Constitucionalista, não custa recordar que, mesmo com a derrota, o ideal paulista foi alcançado com a Constituição de 1934 e que, aqueles que pegaram em armas para defender São Paulo da sanha ditatorial de Getúlio, tiveram ao seu lado, como grande companheiro, o veículo de comunicação até hoje fundamental e indispensável na vida brasileira, estando a serviço da população em todos os momentos e principalmente nos momentos graves: o Rádio.

Um abraço amigo

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